segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Tomates para Titi

Como aquela música do Carlos Paredes, aqui fica uma prenda para a Titi, mas em vez de uma "canção", é um tomate. E como tudo volta às origens, este tomate volta à sua primeira dona, ou mãe neste caso, já que o tomate é da sua produção.
Nunca gostei de tomate. Achava uma coisa desenchabida, chata, meio "esferovitenta", até ao dia em que a minha tia insistiu tanto, que acabei por provar um coração de boi. O espanto foi tal, que achei que era fruta! 

Costumo falar com orgulho dos "tomates da minha tia", mas este superou-se! Tem 1 Kg exacto, e estava só à espera de ser desenhado para, finalmente, ser comido.
Deixo-vos com o desenho, enquanto eu ataco o verdadeiro!



quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

pexum

Voltei. Não há razão que justifique ficar tanto tempo sem postar aqui ilustrações. A não ser o facto de estar sem scanner há meses... Bom, isso acabou! Daqui para a frente, haverá pelo menos um post por semana! Certo... Vamos ver se acontece...
Aqui fica uma experiência rápida em scratchboard preto, com aguarelas líquidas.
Até já!
 

Sopa de beldroegas

Há tempos fiquei a conhecer um site engraçado de culinária e ilustração, o  They Draw & Cook. Fiquei cheia de vontade de fazer parte, e inscrevi-me. Decidi começar pela sopa de beldroegas, essa sopa mítica que eu venero e como sempre que posso!
Demorou, mas finalmente está acabado!
Isto de ilustrar receitas é mais complexo do que parece, e ainda há muitas arestas a limar... para já deixo aqui a primeira de muitas receitas ilustradas (espero eu...).


terça-feira, 13 de Maio de 2014

N A B O







































A convite de um amigo, há tempos, fiz este desenho para o logo da sua editora.
As Publicações NABO (Núcleo Apático das Brigadas do Ócio) dedicam-se a editar livros de fotografia, com colaborações esporádicas de ilustradores. Já contam com três publicações e têm outras como estas na manga.
O logo foi concluído pelo mui talentoso Bráulio Amado, que também já conta com uma publicação destas.
E um dia destes cabe-me a mim preencher as folhas de um destes nabos!

sexta-feira, 9 de Maio de 2014

segunda-feira, 24 de Março de 2014

"Cabeça"

Esta é a gravura que deu origem à capa do último álbum de Filho da Mãe, "Cabeça".
São duas pequenas edições, cada uma com 15 provas.
Estão à venda no Bandcamp de Filho da Mãe ou por aqui mesmo, e custam 40€.
A primeira edição está quase a acabar!

55,5 x 45 cm
Água-forte, água-tinta/ Etching, aquatint
2 edições de 15 / 2 editions of 15
Edição especial para "Cabeça" - Filho da Mãe /Special editon for "Cabeça" - Filho da Mãe
















quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Ana Metal

Artista plástica e performer, nasceu em Montemor-o-Novo, onde residiu até à data da sua morte.
Fez-se rebentar numa gruta, sobre uma rede de fios pretos que constituíam uma mina anti-pessoal, filmando o evento, deixando assim a sua última obra para a posteridade.
Deixou-se espalhada pelas paredes da gruta, assombrando para sempre quem ali passasse.
Do chão ao tecto, cerca de 50 cm de altura ficarão para sempre pintados de vermelho e carne.
A gruta continuava, até ontem, a ser a única passagem para o outro lado da cidade, e a ausência de luz elétrica pela noite estava a separar os habitantes.
A solução encontrada para acabar com o pesadelo que se estava a viver, foi acordar-me...

6 de Novembro de 2013

quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Cabeça

Cabeça, Filho da Mãe, 2013

Cabeça é o nome do último álbum do Filho da Mãe, que nos chega às mãos em Novembro.
Cabeça é tudo aquilo de que falamos todos os dias, vezes sem conta. É por ela que fazemos ou não fazemos, é ela que dita como o fazemos, e é causa e consequência de tudo o que de bom ou mau nos acontece.
De trás para a frente, de cima para baixo, a vida vai correndo, boa ou má, como uma impressão inesperada de um desejo expresso há muito tempo. Esse desejo dá frutos, poucas vezes controlados.
"Cabeça" esperou 3 anos para para surgir na cabeça do Rui. Esperou tanto, que só nos dias de gravação é que decidiu aparecer. Porque a cabeça quando é obrigada, fabrica, mesmo que seja de trás para frente e de cima para baixo.
O que hoje nos aparece ao contrário, amanhã pode estar correcto. É só olhar com amor e vontade.

Do Gerês a Montemor-o-novo, do Algarve à Madeira, a cabeça esteve sempre lá, a olhar para as coisas, a sentir os cheiros e a dar espaço ao peito para sentir o ar.
"Cabeça" é para se ouvir com tempo, sem interrupções, a não ser aquelas que a cabeça ditar.

Cabeça, água tinta sobre zinco. Cláudia Guerreiro, 2013. Fotografia de Paulo segadães. Design gráfico de Sérgio França.




domingo, 9 de Junho de 2013

quinta-feira, 2 de Maio de 2013

CASULO

Conheci a Márcia há coisa de dois anos.
Não me lembro como aconteceu, mas não aconteceu como seria de supôr, na Faculdade de Belas- Artes, onde chegámos a partilhar professores e salas de aula. E embora tivéssemos amigos comuns, esperámos mais de 7 anos até que o encontro acontecesse. A amiga comum chama-se Teresa Cortez, e conhecíamo-nos desde os 17. Depois de fazermos a faculdade juntas, a vida acabou por nos levar por caminhos e vivências diferentes, até que a Márcia nos decidiu juntar num mesmo tacho, para cozinharmos a capa do seu CASULO.
Eu fiquei incumbida de desenhar científicamente o casulo e tudo o que fosse linha e ponto, a Teresa faria tudo o que fosse cor.
O resultado é o que podem ver aqui. E, não querendo parecer tendenciosa (porque nestas coisas não o sou), acabou por resultar numa das capas mais bonitas que vi nos últimos tempos.
A simplicidade e o erro provaram estar correctos!
Quanto ao album, vão poder vê-lo, comprá-lo e ouvi-lo ao vivo e a cores no Cinema São Jorge, no dia 14 de Maio.
Não posso deixar de agradecer à Márcia pelo convite desafiante :).

(E isto é só a capa, porque lá dentro há mais!)

segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Em Valongo dos Azeites somos todos filhos da mesma mãe

E pensar que se tivesses nascido aqui, não eras metade do que és hoje.
Aqui, por trás dos montes, onde os homens choram como as mulheres, onde as mulheres trabalham como os homens, onde o vinho se faz com o que traz da terra sem se fazer acompanhar de nada. Sem cristais nem aditivos. Aqui, onde o vinho é doce e o bagaço assusta. Não haveria espaço para pensares sequer numa alternativa. Serias homem do campo e na mesma andarias a cavar com as mãos. As mesmas mãos com que já cavaste e que hoje prezas um pouco mais, mas não muito.
Mandarias todos à merda assim que passasse o primeiro desconto, aquele que se dá quando ainda não se conhecem as pessoas, e ainda se tem uma esperança que elas possam ser melhores do que aparentam.
Mandarias todos à merda, e talvez não tivesses lugar aqui. Porque o que és hoje permite-te mandares quem quiseres aonde quiseres.
Se tivéssemos todos nascido aqui, não seríamos senão homens e mulheres da terra, alguns, mas poucos, capazes de se inspirar com o cheiro do ar e da terra. Teríamos os problemas do vizinho enquanto nos esquecíamos de nós.
Hoje somos mais egoístas.
Somos mais nós e mandamos à merda quem se intrometer.

terça-feira, 12 de Março de 2013

Pus as ilustrações à venda

Na verdade não são as ilustrações que estão à venda, mas sim prints das ilustrações. Em breve estarão lá mais coisas, e em mais suportes. Para já, os portes são gratuitos até dia 17 de Março, por isso é aproveitar!
http://society6.com/ClaudiaGuerreiro?promo=caf8cc
Se tiverem sugestões de coisas do blog que queiram ver lá à venda, chutem! :)

quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Bazar das especiarias

Quando decidimos ir a Istambul, eu, o Pef, a Catarina e o Pedro, definimos logo à partida o que queríamos desenhar. Eu sabia que queria desenhar mercados.
Estava fascinada com as cores das especiarias, dos tecidos, com a organização ortogonal de todos os produtos (algo que os Espanhóis têm, mas que nós, Portugueses, parecemos desprezar - a boa apresentação das coisas).
Infelizmente, quando cheguei, deparei-me com uma movimentação louca nos mercados, nas ruas, enfim, em tudo o que fosse comércio, e em Istambul tudo é comércio. Quando há uma loja de música, há dez à volta! Neste caso, na parte exterior do mercado das especiarias, pequeno Bazar ou Bazar das especiarias, onde se comercializam os produtos rurais, enquanto uns desenhavam sanguessugas, eu desenhava o amontoado de linhas na zona dos aviários.
Ficaram por desenhar as especiarias, e o interior dos bazares. Não se conseguem ver as coisas sem levar um empurrão, quanto mais desenhar... Entra-se por uma porta, sai-se pela outra sem parar, a não ser que haja negócio a fazer!...
Hei-de voltar pela 3ª vez.

domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Lemon Curd

A receita não é minha, e também não é da minha tia. E também não é a única receita de Lemon Curd. Mas esta foi ela que ma ensinou, e me habituou a comer nas torradas com manteiga. Também fica bom com requeijão!
Basicamente, trata-se de uma pequena bomba de limão, ovos, açúcar e manteiga. É incrivelmente viciante.
Estou a fazê-los por encomenda, por isso, se houver interessados por Lisboa, falem comigo.
Deixo aqui o meu e-mail: claudiacruzguerreiro@gmail.com e o facebook: http://www.facebook.com/claudiacruzguerreiro


sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

Canibalismo

Qualquer ideia é um bom pretexto para se trabalhar, mesmo que o fruto do trabalho pareça brincadeira.
Às vezes, as brincadeiras acabam a ser o nosso trabalho mais sério, talvez porque a estupidez seja o que nos é mais natural!
Costumo dizer, com pouco orgulho e muita preguiça, que sou uma inútil no que respeita a tecnologia aplicada às artes. Pouco orgulho, pelas razões óbvias; preguiça, porque me recusei até aqui ( e recusarei nos tempos mais próximos) a aprender a trabalhar com programas de computador como o Illustrator e afins, ferramentas, como se sabe, indispensáveis a quem pretende arranjar trabalho como ilustrador.
O ponto alto da tecnologia na minha vida, enquanto ilustradora, é a utilização de uma pen tablet, que uso de uma forma muito rudimentar. A verdade é que eu gosto de linha. Linha preta, de preferência. E, na falta de um scanner, nada melhor que poder desenhar directamente no ecrã. Simples e directo.
Há tempos, o Ricardinho desafiou-me a fazer uma série de ilustrações com ele sobre o tema Canibalismo, com o intuito de fazermos uma mini publicação a duas cores. Claro que não aconteceu nada disso, mas a motivação inicial (ou o fogo no cú, como muitos lhe chamam) levou-me a fazer algumas ilustrações com a pen tablet.
O resultado foi este que aqui se vê.

 

 

E a verdade é que sabe bem fazer por fazer.

quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

Composições para Sebastião

Nunca fui muito dada à ilustração infantil, talvez por me ser difícil a representação humana em modo boneco, e assim que me propus fazê-lo senti um arrepio na espinha.
Fosse pela proximidade ou por conhecer os gostos artísticos dos pais do referido Sebastião, seria difícil não os desapontar. Mais fácil será agradar o próprio Sebastião, que, assim que passar as suas primeiras horas no seu novo quarto, assumirá aquele como o seu novo mundo, tenha ele ou não uns desenhos na parede.
É a primeira vez que estou a fazer ilustrações para um quarto de uma criança, e percebo agora que se trata da nossa ideia de conforto, da ideia que fomos construindo, e que nos ajudaram a construir, até chegarmos a pais. Não se trata da ideia de conforto do recém-nascido, que só agora começa a construir imagens na sua cabeça, caso contrário pintaríamos o quarto de preto, ou vermelho escuro, ou o que quer que se pareça com o interior de uma barriga materna, onde se acomodou nos últimos nove meses.
Espero que o Sebastião não se assuste com um bando de animais selvagens a cair de pára-quedas no seu novo quarto! É o modo querido que temos de lhe dizer que vivemos numa selva, e que a selvajaria dos animais é capaz de ser mais justa que a nossa....
(E assim me escapei à representação humana!)

sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Istambul - a caminho do mar negro


Podia ser o Tejo.
Porque, na realidade, o Bósforo tem algumas semelhanças com o Tejo. Claro que no Tejo se navega, essencialmente, de uma margem para a outra, enquanto que no Bósforo o caos reina em todas as direcções.
Mas o rio faz parte de Istambul, como o faz em Lisboa.

Não consigo olhar para este desenho sem pensar na chegada a Cacilhas em dias de chuva.

quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

Meios termos


Seria mais fácil ser uma pessoa de meios termos. Não sou. Não sei ser, não me é natural.
Também seria mais bonito falar através de metáforas. Mas gosto do literal. Deixa menos margem para interpretações. Também é verdade que é menos poético, mas não temos todos que ter essa qualidade de encantar os outros com o que fazemos, dizemos ou escrevemos. Por isso há que estar preparado para ler aqui uma coisa feia ou estilísticamente pouco interessante - embora não acredite que alguém venha aqui para ver exercícios de escrita.
Mas voltando aos meios termos, a verdade é que não sei funcionar sem ser muito próxima dos extremos. E quando caio no erro de o tentar (porque às vezes é mesmo preciso), o resultado é quase sempre mau porque não o sei fazer... então tento fazê-lo à imagem de alguém, geralmente de alguém em quem confio nesses "meios termos". Pior ainda! Estou a ser outra pessoa, e tudo corre bem se tudo correr bem, mas tudo corre mal se a coisa for por mau caminho. Porquê? Porque estando eu a ser outra pessoa, na altura em que a coisa me fugir do controle não saberei reagir, argumentar, ou o que for preciso fazer.

Algumas metáforas para animar as hostes:

Sou um oito e um oitenta, e uma nulidade enquanto trinta e seis.
A apatia é uma fuga para lado nenhum e uma solução que nem aos outros serve.
Precisava de um relâmpago nos cornos para me dar um rumo e ter vontade! Está visto que uma palmadinha nas costas não resolve nada... é só um meio termo simpático que não cria ondas, ninguém se afoga nem luta pela vida, mas também não navega para lado nenhum.
É boiar no mar morto...

Hoje está de chuva. Com jeito, cai um relâmpago!


quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

Azeite Gallo

Não podia de deixar de partilhar aqui as minhas ilustrações para o Azeite Gallo!
Parece que já está à venda!
Cliente: RMAC

segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

Este foi o nosso corpo



































E assim foi a inauguração da exposição em Aljustrel. Vai ficar exposta até dia 30, se passarem por lá, dêem um saltinho!

terça-feira, 30 de Outubro de 2012

642 things to draw

Receber prendas é bom. Admito, é uma coisa que eu aprecio... bastante!
E este ano recebi uma prenda que adorei. Trata-se de um livro em branco. 
Não é um bloco de desenho, é um livro em branco, com 642 coisas para 
desenhar. Perfeito para mim!

Acabou-se a desculpa "não desenho porque não sei o que desenhar". 

Abre uma página e trabalha, apre!



A string quartet
An Ottoman

A full house

sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

Isto é o meu corpo - Exposição em Aljustrel


Este é o aspecto da minha sala, neste momento. Pela primeira vez sinto a necessidade de ter um atelier a sério, que isto de estar em casa a trabalhar é pouco produtivo. Ou porque há roupa ou louça para lavar, ou coisas para arrumar, chão para limpar, enfim, qualquer desculpa serve quando queremos fugir ao trabalho.
E assim decidi arranjar um atelier. Mas foi preciso arranjar um atelier para que o trabalho só fizesse sentido em casa...
São retratos de mulheres, feitos para a exposição que vou inaugurar dia 9 de Novembro, em Aljustrel, com a minha tia e escultora Noémia Cruz.
É uma exposição no feminino, e sobre o feminino.

quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

Istanbul: dia 1 - continuação


Decidimos aproveitar o que nos sobrava da noite. Depois de abandonarmos as malas numa hostal de wc's partilhadas, com muito mau aspecto, mas que se revelou bastante séria, seguimos à passeata numa Istanbul nocturna, cheia de lojas fechadas. Não havia nada para ver a não ser as ruas.
Apanhámos a Istiklal Caddesi, e seguimos rumo à ponte Galata, que nos levaria à parte velha da cidade. Avistámos, na outra margem do Corno Dourado, a Yeni Cami, a primeira de muitas mesquitas que veríamos nesses cinco dias.

domingo, 21 de Outubro de 2012

Istanbul: dia 1


A chegada a Istambul aconteceu no dia 1 de maio de 2011. Não chegámos a tempo das comemorações, e o nosso estômago acabou por nos conduzir a um mini-hambúrguer de borrego (maravilhoso e de mau aspecto), acompanhado dos primeiros de muitos chás de maçã (o famoso apple tea) e Narguilés (o equivalente à Shisha marroquina).
Alguém me devia pagar pela publicidade que faço a Istambul, mas aquilo vale mesmo a pena...

terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Lisboa --> Barajas

A propósito de ilustrações não publicadas, deixo aqui a primeira de muitas, feitas em Istanbul em 2011.
A viagem foi feita com o intuito de se publicar um livro de ilustração sobre Istanbul, com quatro autores: Eu, Catarina França, Pedro Fernandes (Pef) e Pedro Loureiro.
Caminhamos para o segundo ano e a edição não aconteceu, por isso chegou a hora de pôr os cadernos a apanhar ar! Pode ser que um dia a edição aconteça!



























1º dia

Fomos de Lisboa para Madrid, a caminho de Istanbul.
Encontrá-mo-nos às 9h00, e bem antes da hora estávamos no aeroporto de Lisboa a fazer o check-in. Seguimos para o Astrolábio, e por lá fizemos a nossa primeira despesa, e o nosso primeiro desenho. Seguimos para o embarque e com ele o primeiro atraso. Continuámos a desenhar, vangloriando-nos da sorte que tínhamos, pois enquanto os outros angustiavam nós aproveitávamos para desenhar. Embarcámos atrasados, não tivemos direito a uma comidinha, um carinho que fosse, e uma hora depois estávamos em Barajas para o transfer que nos levaria a Istanbul. Cinco horas depois continuávamos em Barajas. Desenhámos, inventámos interesse onde ele não existia. Depois de uma alimentação duvidosa, algumas cervejas, uma boa dose de amêndoas vindas da minha Páscoa  e três mudanças de horários, conhecemos o S33. Homem pequeno, bigode farfalhudo, t-shirt vermelha, português sabichão. Até ao fim da noite foi a nossa musa. Musa de longe, que ninguém tem paciência para sabichões...
O voo foi cancelado.
A notícia, dada por um personagem cadavérico desenhado por Egon Shiele, veio como um balde de merda nas nossas cabeças.
Seguimos para o hotel, num autocarro que parecia repetir o caminho vezes sem conta, como que dominado por um fantasma a querer-nos ingrupir. S33 era o homem que só nós víamos, o fantasma de um homem perdido e maltratado no aeroporto de Barajas, com estórias sobre o Egipto e a Roménia. Então o voo, foi bom? estão a gostar de Istanbul? A pergunta, cheia de uma ironia sabichona, repetiu-se por duas vezes e o silêncio da resposta acompanhou-se de um sorriso cínico e um sentimento de estupidez.
Depois de cambiarmos os cartões dos quartos, descemos ao caballo, onde duas cervejas e um martini nos embalaram finalmente até aos quartos.
O dia de aquecimento não podia ter sido mais lateral, mas nunca se viram quatro pessoas tão felizes depois de lhes cancelarem um voo!

Madrid - Barajas: 01h51  01/05/2011

segunda-feira, 15 de Outubro de 2012

Não publicados

É uma pena quando ficam ilustrações de lado a aguardar publicação. Infelizmente, acontece mais do que seria de esperar. Este já não vai ser publicado, definitivamente, por isso aproveito para o mostrar aqui.
Mais "não publicados" virão em breve!

quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

O Cavaleiro










Este ano voltei a trabalhar com a Companhia de teatro "O sonho", para a qual já tinha trabalhado na peça
"Auto da Barca". Desta vez a renovação calhou a' "O Cavaleiro".
Deixo aqui o cenário maior, com cerca de 6x2 m .
Mais cenografias são muito bem vindas!

terça-feira, 26 de Junho de 2012

S/ Título


Não sei se os nossos momentos mais produtivos serão aqueles em que começamos a questionar tudo. São, porém, os mais confusos, em que as ideias nos atravessam a cabeça como se fossem asteróides, deixando um rasto que se cruza com os demais rastos, embatendo contra alguma superfície e deixando um enorme vazio. É por ter coisas mais importantes para fazer que me dou ao luxo de pensar em tudo à volta. É assim que este cérebro funciona, por fugas. Ando a direito todos os dias, adormeço pelo caminho debaixo de alguma sombra, olho para uma pedrinha, comento um pormenor, mas só questiono, de facto, o caminho que percorro quando me obrigam a ir por outro. Eu sei que tenho que ir pelo caminho a que me obrigam, mas vou adiar ao máximo a tomada dessa direcção. Vou olhar à volta e ver todos os caminhos que até ali não me interessavam, deixando que me emocionem, dissertando sobre eles, desenhando-os até. De repente torno-me capaz de encontrar interesse no desinteressante, e às vezes as maravilhas do pensamento encontram-se precisamente nessas questões aparentemente vazias. Mas, tal como disse no início do texto, não é por questionar tudo que o momento se torna mais produtivo. Isso acontece apenas a alguns de nós… E é isso mesmo que estou a fazer ao escrever este texto. Fujo às minhas obrigações. Adio a tomada do caminho que me é inevitável.
E agora tenho que voltar.
20-06-12

quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Não gosto de fundos.
Gosto de "statements", isso sim.
Mas não gosto de fundos.
Pensei " porque não dedicar-me à pintura?", mas a pintura tem uma pressão que o desenho não tem. E no desenho a forma vale por si só. Na pintura sinto necessidade de fundos. Não é uma coisa da pintura, é uma coisa minha.
Nunca senti um interesse especial pelo Hockney, mas não consigo deixar de me sentir inspirada de cada vez que olho para a sua obra.
É desenho, é pintura, é retrato sem complexos.
É aquilo que eu queria de fazer, mesmo que não fosse aquilo que gostasse de ver.
É alívio.
É fazer porque sim, porque precisa de ser feito, sem preocupações com a crítica (digo eu, não ele).
Sempre que a arte é feita sem preocupações com a crítica, é bem sucedida, mesmo que não se torne pública. A verdade tem que estar dentro da arte para que esta possa ser grande.
Gosto de formas, não gosto de fundos. Gosto de ver coisas que não gosto de fazer, e vice-versa.
O prazer de fazer, como um jogo ou uma terapia/catarse, também podem ser válidos.
Preciso fazer mais e falar menos!

quarta-feira, 21 de Março de 2012

Mesquitinhas e sandes de cavala

Está quase a fazer um ano que fui a Istambul, na companhia de 3 amigos ilustradores, para registarmos as nossas impressões sobre a cidade.
Deixámos as máquinas fotográficas em Portugal e seguimos viagem, munidos de 8 cadernos em branco e um gravador. Daí resultaram cerca de 80 desenhos, escondidos até hoje, à espera do momento certo para se apresentarem ao mundo.
Passado quase um ano, deixo aqui um dos meus desenhos e a promessa de mais em menos de um mês. O gravador também vai, e espero que desta vez os desenhos voltem acompanhados de música!
Istambul, me aguarda!


quinta-feira, 15 de Março de 2012

Vaca velha, enquanto era nova*


Sou uma folha em branco.

Como tantas folhas em branco, estou perante uma pessoa que não me consegue preencher: eu própria.
Um perigo aproxima-se: o álcool. Como de tantas pessoas se aproximou, sempre. Por vezes com resultados. Tenho os lápis e o queijo na mão, mas a sanduíche não se faz sozinha. E quem é que quer uma sanduíche de lápis?...
Bom, a vida tem-se mostrado complicada, e eu tenho-me provado impossível. Vou virar escritora. De escultora com formação e ilustradora graduada, a escritora sem formação, bem como música. O academismo andou-me a chupar o cérebro para um buraco negro, querem ver?
Pensar, pensar… arranjar desculpas para a vida não funcionar. A vida funciona, é injusto dizer que não. Não há dinheiro? Não há ideias para fazer dinheiro, para arranjar a minha sobrevivência. Mas há. Não do que eu queria. Mas o que queria eu? Queria o que não tenho? Mas tenho. Então o que quero eu? Não sei. Se soubesse não estava a perguntar.
Queria ter coisas para dizer ao mundo. Acho que espero pelo dia em que tenha coisas para dizer ao mundo. Só não percebo porque as coisas para dizer ao mundo são mais importantes do que as que tenho para dizer a mim. As palavras jorram-me do cérebro quando falo com alguém, mas quando falo sozinha não funcionam. Declaro, por isso, falta de estímulo. Um pezinho de hortelã e o gajo lá ao fundo a tocar guitarra podem tratar do caso. Claro que a hortelã vem disfarçada com uma pala no olho e por isso é que funciona…
Tanta gente com facilidade em tornar merda em ouro e eu com tanta facilidade em deixar ouro tornar-se merda. Soubesse eu aproveitar esse ouro transformado, e até a merda me serviria, mas não. Tenho o dom do desperdício e a reclamação debaixo da língua, como se faz com aqueles comprimidos para o coração.
Espero que as lágrimas me tragam ideias, espero que o filho da mãe do gajo que está lá ao fundo me traga vontade. E traz, excepto quando pára. Não posso depender dele, que também partilha comigo esta maneira de estar com a desvida.
Não tenho jeito para poemas, e acho que um poema pode ser muita coisa. Rimar é chegar ao teu coração e espreme-lo. Tudo tem a ver com o coração. A cabeça não é para aqui chamada, que racionalizar não nos faz perder o medo de baratas. Posto isto, deixa-me ver corações em todo lado, que não é por isso que falo de amor.
Invejo a arte dos artistas sérios. E dos outros também, admito. Admiro a arte de se conseguir explorar dentro e fora, e de quem se consegue levantar de manhã para ser alguém, sozinho, sem patrões nem obrigações, apenas as próprias.

Não queria ser um desses artistas que não se orientam sozinhos e que precisam de um estímulo alcoólico para funcionar. Já me dizia o meu tio “ bebe um uísque e vais ver que ajuda”. Na altura tinha 14 anos e o conselho pareceu-me estúpido. Hoje, em desespero, gostava de não me agarrar a isso, mas tento. E não funciona. Se calhar porque a tentativa não foi séria o suficiente, mas eu não quero que seja. Mãe, está descansada.
Queria uma epifania como a que tive no outro dia na casa de banho quando percebi que seria a laca a salvadora do meu cabelo. Bendito sejas oh Fábio, hás-de mudar a vida do meu cabelo.
Vejo cowboys lá ao fundo e ninjas a esconderem-se em armários. Está tudo fora do sítio e eu gozo com eles de fora, mas também estou lá encolhida. Mal falo deles, desaparecem e sobro eu, sozinha, aqui no sofá com o meu pirata líquido, coberto de folhas de cheiro e cubos de gelo. Vá lá, volta a tocar, estavas-me a ajudar nisto… Mas tenho que perceber, a ajuda aqui está só numa direcção, de ti para mim. Eu não te estou a dar nada neste momento e tu precisas parar um bocadinho. Vai lá fumar o teu cigarro.
Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Era o meu cérebro, desculpa.
Está aqui um vazio que não se aguenta.
Voltemos então ao que era importante.
Falávamos de quê?
Cowboys, ninjas e piratas.
Cada um no seu sítio, mas a trabalhar em conjunto. Sempre escondidos nessa sala pequenina aí ao fundo. Não têm uma função. Pelo contrário, são resultado de uma funcionalidade. Apareceram há bocado, vamos ver quanto tempo se aguentam. Enquanto aí estiverem ( e receio que estejam para ir embora), temos texto.
Como é que um cowboy e um ninja coabitam? É a coragem? São tipos destemidos e por isso são aceitáveis no mesmo espaço de heróis? E o pirata? O que faz aí o pirata? Esse é a inspiração, eu sei…também tenho aqui um ao pé de mim.
Passou-me o pânico. Ou foi o pirata, ou a fuga dos ninjas e cowboys.

As palavras são como a voz. Vêm de dentro, como sabemos fazer, não como nos ensinaram.

Dizem-me os ninjas e os cowboys que tenho muita loucura dentro de mim e que a devia aproveitar. Concordo. Mas loucos somos todos, mesmo os que acham que não, e nem por isso o mundo está cheio de criativos. Está, isso sim, cheio de loucos! Voltamos à folha em branco e ao fio de baba, ou ao manicómio. Ou à vida normal, disfarçada de coisa que passa sem darmos por ela, e que se leva com a preocupação de pagar o prato do dia seguinte, sem mais ambições intelectuais, e sem merdas na cabeça. Porque as merdas na cabeça é que nos impedem de chegar ao dia seguinte com felicidade e porque a felicidade é coisa inatingível e querê-la é impedi-la. Neste momento, se me saísse em riscos, um terço do que me sai em palavras, eu ficava feliz. Sou uma pessoa simples e fácil, ao contrário do que dizem. Sou feliz com o cheiro das coisas, com memórias e cores, com uma comida ou uma música que me leve a algum lado. Quando me perguntam “e tu, o que queres?”, aí tudo se complica. Sei lá eu o que quero. “Quero ser feliz, porra!”, como dizia o outro. O “outro” é aquele a quem toda a gente se refere quando quer pôr as culpas em alguém, mas sem ter tomates de dar um nome. Não é este o caso. O meu outro não tem culpa de nada a não ser de ter dito uma frase simples e certeira, e que calha bem a muita gente. Eu quero ser feliz, porra!... e como raio hei-de conseguir isso, não sei.
Na sala dos cowboys, os ninjas calaram-se. Aqui ao pé de mim, os piratas falam mais alto e estão a afogar os cowboys em rum, que estão mais habituados a uísque que a outra coisa. Inevitavelmente, acabaremos todos afogados em alguma coisa a que estamos menos habituados do que ao uísque…

A técnica está solucionada e os cowboys voltaram. Mas não é a técnica que eu quero, é a arte, o subjectivo, o intelectual, o discutível. O algo maior arrogante, que não é para qualquer humano, porque eu sou diferente.
Gosto da terra, do poroso, de tocar com a mão e vir pó agarrado. Gosto do branco e do contraste de texturas. Gosto de sentir de olhos fechados, com as mãos, com o nariz. Gosto da arte para os olhos, mas prefiro as outras todas. Gosto das cores puras, isoladas. Gosto do inesperado intuitivo e sou incapaz de intuir plasticamente. Tudo o que sei, limita-me. Devia agradecer por nunca ter aprendido música? Se calhar devia. Devia começar a trabalhar com o que não conheço, se calhar devia…
Os cowboys estão na moda, eu sei. Mas oiço um ali ao fundo a dizer-me “toma toma!”, com as mãos abertas, uma de cada lado da cara, apoiadas nas bochechas com os polegares, girando em direcções opostas, freneticamente. Podia desenhar em vez de descrever, afinal, o desenho é uma linguagem! Mas não quero. Estou farta. Se é literal, então literemos. O desenho deve chegar a outro sítio. Aonde as palavras não chegam, e elas chegam aos ouvidos, aos olhos e ao coração. Os desenhos, ou a escultura e pintura, chegam onde então?

* (escrito algures no ano 2011, enquanto um filho da mãe fazia uma música)

sábado, 10 de Março de 2012

Viena rima com problema

Podia falar de Paris, e da quantidade absurda de genialidade que de lá tem saído. Mas só me ocorre o Picasso, que por acaso era Espanhol.
Dei por mim a ver livros dos pintores de que mais gosto, e agarrei no Schiele. Já não me lembrava de quão óbvias eram as suas semelhanças com o Klimt. De repente lembrei-me do Mozzart, e logo a seguir do Beethoven. Desgraças atrás de desgraças, parece que o Klimt foi o único a viver um tempo razoável. De resto, entre doenças irónicas e mortes prematuras, constatei a maravilha de que se quero ter a genialidade desta gente devo fazer as malas, seguir para Viena, e estar preparada para pagar o reconhecimento com a vida! Acabar acamada, com um lápis na mão, a fazer os meus últimos e mais bem sucedidos rabiscos, enquanto a morte faz um tempinho pra me vir buscar.
Naaaa! Prefiro continuar aqui a ser só eu com os meus problemas!

quinta-feira, 1 de Março de 2012

Enquanto a menina dorme

A menina chama-se Lídia. Mais correctamente, Lydia.
Consta que não é portuguesa, ou que não fala português, mas parece que os pais são de Setúbal e Lisboa. Sei que tem problemas de sono e que é um pouco agressiva quando está acordada, por isso arranjaram-lhe uma camisa de forças de fios dourados, esperando angariar fundos para a tratarem como merece.
Às vezes a Lydia sai à noite, mas os pais vão sempre com ela, obrigando-a a levar a camisa de forças. Por sorte as camisas não são permitidas dentro dos estabelecimentos que frequenta por isso deixa-a à porta, numa bancada na esperança de que alguém a leve.
Deixo-vos uma imagem da Lydia enquanto dorme (acordada é muito difícil apanhá-la quieta), e uma imagem dessa camisa de forças, para saberem se se depararem com ela. Se virem essa camisa levem-na, a Lydia agradece!


sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Dedos apontados

Ultimamente sinto-me mais próxima da escrita que do desenho. Talvez pela obrigatoriedade de concluir uma tese de mestrado, e pelo sentimento de culpa que daí advém. Juro que se pudesse não a fazia.
Há, nas minhas formas de expressão, uma necessidade de me expressar, e expressão tem que ver com intenção, com marca. Uma pintura expressionista não está no mesmo plano que uma pintura neoclássica - não negligenciando o carácter expressivo que a neoclássica possa ter. Uma tem por base o gesto, a outra nem por isso.
A vantagem de escrever aqui sobre o que me apetece, é poder escrever como me apetece. Aqui, expresso-me. Uso os pontos de exclamação que entender, reclamo do que quiser, aponto o dedo a quem quiser, seja a mim, seja a quem for, sem ter que apresentar uma referência bibliográfica. Não o faço para que a minha opinião seja tida em conta como algo sério. É minha e partilho-a.
Na tese, tudo é água parada, com alguma tendência a lodo. Não há ondas. Há apenas a constatação de uma maré cheia ou vazia, a explicação científica da mesma e estupefacção nenhuma por esse "milagre lunar". Acredito que a transmissão de conhecimento deve ser feita com propriedade. A palha pode ficar para as vacas, que entre pessoas que querem saber não vale a pena tomar-lhes tempo com o quase nada. No entanto há pequeninas explorações que nos fazem avançar e nem sempre é a conclusão que interessa, mas abrir o caminho para certa discussão. E isto, que já pensei tantas vezes, precisava de estar escrito para que o pudesse consultar de quando em vez, e lembrar-me de que tenho uma tese para escrever, sem ter que apontar o dedo a ninguém, sem ter que ter um coração na boca ou um estômago nas mãos.
O problema está em entender tudo como uma forma de expressão.
Nem tudo pode sair de nós como um filho...


terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Ninguém leva a mal!


Foram 3 dias a comer.
Se o Carnaval serviu para alguma coisa foi para nos mascararmos de ricos, e fingir que não há problemas.
Ainda assim, fomos ao sítio mais baratinho que encontrámos, onde percebes, camarões gigantes e navalheiras dançaram nos nossos pratos. Acho que ainda cheiramos a marisco...


sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

E levantei-me ao meio dia! Imagina que tinha sido às 9h...

Hoje acordei e saí à rua. Fui até à casa da Rita, fazer não sei bem o quê, e pelo caminho senti-me perseguida por um indivíduo alto, com um certo ar árabe, não percebi bem. O prédio parecia estar em obras. Entrei, comecei a dirigir-me para o 4º e último andar, onde fica a casa da Rita, e continuei a ser perseguida pelo tal homem, de ar sério, frio e calculista. Não me lembro se tinha bigode. Uns degraus antes de atingir o ultimo patamar, disse-lhe para passar (não sei com que intenção, pois naquele ponto era nítido que me ia atacar, ou entrar na casa da Rita...). Recusou-se a passar. Olhou para baixo, para o patamar do rés do chão, pelo meio das escadas, segurou num objecto estranho, vertical. Vou deixar cair isto, quando chegar lá abaixo vai explodir e vai-se formar uma coluna de fumo vertical até cá a cima. Vais morrer, disse já com um semi-sorriso na boca. De olhos esbugalhados e em pânico tentei argumentar, mas não havia como me livrar da situação. Tentei então salvá-lo e com isso salvar-me. Eu seguro nisso, tu vai-te embora e quando estiveres a sair eu deixo-o cair, e enquanto cair, desço e vou-me embora. Estranhamente aceitou. Pisquei os olhos e quando percebi o homem já não estava lá, o 4º andar também não e todo o cenário tinha mudado. Encontrava-me diante de uma mulher dos seus 50 anos, com um cabelo liso, quase louro muito bem penteado, um pouco por baixo do nível das orelhas. Sempre de sorriso na boca, dizia-me que tinha que ser. Eu continuava a agarrar no objecto explosivo e ele não podia tocar no chão. Lembro-me vagamente de ter aceite o meu destino, com um Iphone na mão. Tinha apenas que ir à casa de banho, que ficava a uns 200 metros dali. Disse-lhe que tinha que ir mas que não se preocupasse que deixaria ali o meu telemóvel, para não telefonar a ninguém a dizer o que se estava a passar (só comparável à parvoíce de entrar no Vaticano a tirar fotos e apagá-las em frente aos seguranças como prova de boa fé! Ele há gente muito estúpida...). Assim foi. O Iphone lá ficou, em cima de uma mesa à minha e à sua esquerda. Atravessei aquela praça imensa. Era ainda de dia e estava uma luz dramática, muito intensa, que não me deixava distinguir bem as formas à minha volta. Sei que estava em Roma. Depois de ter ido à casa de banho e de me ter sentado um pouco numa esplanada a contemplar uma universidade logo ali à frente, entrei em pânico e arrependi-me de ter deixado o telemóvel para trás. Precisava mesmo de ligar ao Rui para me vir salvar. Como não tinha esta possibilidade, decidi fugir, apanhar o metro em Roma - centro para um qualquer destino. Devo ter adormecido na viagem porque não me lembro de pormenores. Sei que saí passado duas estações, e que tornei a entrar e voltar a Roma - centro. Em pouco tempo voltei para a mulher, gabando-me da minha honestidade, e de como não telefonei a ninguém, admitindo até que tinha tentado fugir mas que voltava àquilo que tínhamos decidido ser o meu destino. Não me lembro como, mas a mulher, que mantinha aquele sorriso calmo, deixou de estar lá e foi substituída pelo Shela. E o Shela, com a mesma calma, queria que eu deixasse cair o objecto. Eu acatei tudo, sempre, incluindo este poder que tinham sobre mim. Lembro-me do Shela ter dito alguma coisa sobre uma gravação ou um concerto que ia ter com PAUS, à noite no musicbox, ou algum sítio no Cais do Sodré e de a Dora ou o Rui o convencerem de que aquele objecto não era assim tão importante, que podíamos desistir daquilo. Não sei se foi o poder da Dora sobre ele, ou a argumentação eficaz do Rui, mas ele aceitou de bom grado a ideia. Seguimos junto ao rio, no seu carro descapotável, que devia ser importado já que o volante estava à direita, e é precisamente no Cais do Sodré que o Shela decide ver-se livre do objecto, que carregava na mão direita, fora do carro. Deixou-o cair, como se fosse um lenço de papel e mal tocou o chão, provocou uma explosão enorme. A água do rio começou a crescer e a subir a cidade a uma velocidade estrondosa. Dirigimo-nos rápido para a Lapa, para a casa da Rita, e deixámos a água para trás. devo ter adormecido outra vez porque não sei pormenores, mas deve ter havido um problema qualquer com a Epal ou a edp, ou a galp gas. Não sei. Sei que me lembro do Shela e da Dora ao telefone, a pedirem a uma dessas empresas que fizessem o favor de verificar a exequibilidade do concerto no Cais do Sodré. A resposta, veio depois num telefonema dizendo que tinha havido uma explosão precisamente no Cais do Sodré, exactamente na hora em que o Sr. Shela lá tinha passado e que era uma sorte ter-se escapado da tragédia! Diziam que a água tinha atingido mais de metade da cidade, o equivalente a 3 Rios de Janeiro!

Não morreu ninguém, estou viva, aqui. Só tenho pena de ter demorado tanto tempo a acordar...

terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Vista do sofá

Às vezes o dia do Senhor prolonga-se mais do que seria desejável... principalmente quando somos freelancers. Será que o Senhor pensou em nós quando disse a sua famosa frase seis dias trabalharás mas ao sétimo descansarás? Será que ser freelancer é coisa para ateus?
Então, além de não termos subsídio de férias, contrato e subsídio de desemprego, também não vamos ter um lugar no céu??
Parece que o máximo que teremos do céu serão as antenas que vemos das janelas em dias de preguiça ou de pouco trabalho, até que a TDT acabe com isso!
Ele há coisas do diabo!...

sábado, 28 de Janeiro de 2012

As verdades absolutas da Delta

Axiomas...
Alguém se lembra de quando a Delta tinha uns pacotinhos de açúcar com mensagens sobre verdades? Não sei ainda terá, mas ia jurar que tinham posto Deus a trabalhar para eles naqueles conceitos...

"Haverá algo mais verdadeiro
que ser pessoa entre a multidão?"
A verdade vem em pacotinhos de café.

A sério?... a verdade vem em pacotinhos de café?...
Só Deus, em desespero criativo, conseguiria convencer alguém disto...



E como amanhã é dia do Senhor, não haverá post pra ninguém!

sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Espirros divinos

Se há coisa que se faz bem quando se está a escrever uma tese, é arranjar alternativas à criatividade. E a criatividade brinda-nos com as coisas mais básicas: fome, bexigas cheias, limpezas urgentes, medidas de organização urgentes, actualizações de estados no facebook, actualizações de blogues...

Se por um lado a produtividade diminui, pelo outro aumenta em muito! Não no sentido que deveria, mas ao menos acabam os fios de baba a escorrer pelo canto da boca.
Porém, Deus insiste em não me brindar com a inspiração divina da criatividade plástica, por isso resta-me, por agora, assaltar uns cadernos velhos e publicar desenhos esquecidos.
Aqui fica uma epifania de 2009 sobre a chuva.



quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Benfas

Passam meses e meses sem que faça um post. Por razões desconhecidas ou não assumidas, a verdade é que a produção acaba a não ser exposta. Este desenho foi feito em Benfica, em Dezembro de 2011. Deveria ter estado integrado numa exposição de diários gráficos feito em Benfica e por isso não foi aqui publicado. Esta, como muitas outras desculpas, levaram a que, desde Agosto, nada de novo se passasse aqui. A verdade é que o desenho não foi a exposição, e bem como tantos outros na mesma situação, ficou guardado, escondido no meio do caderno, prensado entre outras folhas.
Como costumava fazer quando era miúda, na altura em que arranjava um diário e, depois dos dois primeiros dias de entusiasmo a escrever nele, passavam-se meses até que voltasse e lhe pedisse desculpa prometendo que desta é que era, e que escreveria lá todos os dias, prometo então fazer um post todos os dias (menos fins de semana, que um preguiçoso tem direito às suas preguiças!). Se não for todos os dias, é quase...
O compromisso está feito, e se a qualidade não se puder garantir, garante-se pelo menos a assiduidade e o esforço. No fim do mês terei concerteza mais coisas dignas do que desde Agosto até agora! E só isso interessa.


quarta-feira, 3 de Agosto de 2011

Carrinho ou carroça

Não sei do que se trata... está, desde que me lembro, no espaço onde ensaio, em Belém.
Se alguém conseguir identificar, agradeço!






quarta-feira, 22 de Junho de 2011

Estava ao piano, a ouvir uma guitarra, quase quase a partir-se contra o chão

Não tenho jeito para escrever coisas bonitas vindas do nada. Há pessoas que têm isso dentro delas, essa capacidade de embelezar tudo com palavras simples, de dar cheiros e texturas às coisas mais voláteis, de nos fazer sentir o vento e a terra só com a feliz junção de algumas letras.
Eu não, ou são poucos os dias em que isso acontece (ou em que sequer tento). E como tal fico-me com as imagens, que também não têm sido muitas.
Cara de lixada com a vida? Naaa... sou só eu

sexta-feira, 17 de Junho de 2011

Pj Harvey e Montemor-o-novo

...e o que é que Montemor tem que ver com a PJ, perguntam vocês... Nada! Mas eu tenho a ver com os dois. Há muito tempo que não ia a um concerto, sem ser de bandas amigas, claro, e este soube-me especialmente bem, mesmo tendo que vir à pressa de Montemor e sair à pressa pra voltar!





terça-feira, 31 de Maio de 2011

terça-feira, 12 de Abril de 2011

Sardinha pia abaixo!

Concorri com esta sardinha para o concurso das festas de lisboa. Não ganhei nada, a não ser uma ilustração acabada!
A primeira só a caneta, a 2ª pintada em photoshop.
Há um mafioso no meio...!